Toda vez que a categoria conquista alguma coisa, a conquista vira rotina — e a rotina faz esquecer que aquilo já não existiu. Este texto é contra esse esquecimento.
Nada do que está listado abaixo foi concedido. Cada item saiu de negociação, pressão e mobilização de servidores organizados no SINDETRAN/PR. As datas vêm do arquivo da própria entidade, mantido desde 2010.

2010 — A primeira gratificação
A entidade voltou a funcionar em 2010 e, logo no primeiro ano, conquistou por Decreto Estadual uma gratificação de R$ 500,00. O valor importa menos que o significado: até ali, o Estado tratava a categoria como servidores sem atribuições específicas e relevantes. A gratificação foi o primeiro reconhecimento formal de que o trabalho do Detran-PR tem natureza própria.
30 de novembro de 2010 — A reestruturação é aprovada
O Projeto 295/2010, que tratava da reestruturação do Detran-PR, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa. Foram sete meses de tramitação acompanhada passo a passo pelo sindicato — da chegada à Casa Civil, em abril, até a votação final em dezembro, com servidores na galeria do plenário.

24 de novembro de 2012 — Campo Mourão e a GEE
Em Assembleia Geral Extraordinária realizada em Campo Mourão, com presença expressiva de servidores, a categoria decidiu transformar em lei o decreto que concedia a Gratificação de Encargos Especiais — a GEE. O valor foi atualizado para R$ 800,00, com reajuste anual pelo mesmo índice da data-base.
A diferença entre decreto e lei é a diferença entre um direito que depende de assinatura e um direito que depende de revogação. O que estava em decreto pode ser desfeito por decreto. O que está em lei exige o Legislativo inteiro para desfazer.

4 de abril de 2014 — O enquadramento sai no Diário Oficial
O enquadramento da categoria foi autorizado em Diário Oficial. Em setembro do mesmo ano, a SEAP assinou a resolução nomeando a comissão que o analisaria. Foi o ano em que a categoria também deflagrou greve, a partir de 1º de abril, por tempo indeterminado.
Fevereiro e março de 2015 — A greve mais longa
No dia 10 de fevereiro de 2015, servidores públicos ocuparam o plenário da Assembleia Legislativa do Paraná. Com o plenário ocupado, os projetos daquela pauta não foram votados.
Dois dias depois, em assembleia realizada em Guarapuava, a categoria do Detran-PR deliberou retomar o movimento grevista a partir de 18 de fevereiro. Levantamento do próprio sindicato nos 101 postos de atendimento apontou mais de 80% dos servidores parados, com concentrações em todas as CIRETRANs do estado.
A greve durou de 18 de fevereiro a 16 de março de 2015 — quase um mês. Ela terminou do único jeito que uma greve termina bem: com o governo cedendo. Em 16 de março, em Assembleia Geral Extraordinária convocada às pressas em Curitiba, o diretor-geral do Detran-PR compareceu para formalizar, diante da categoria, o envio do projeto do Quadro Próprio à Assembleia Legislativa. Só então os servidores deliberaram suspender o movimento.

Quarenta e três dias depois daquela foto, o projeto era lei.

28 de abril de 2015 — O Quadro Próprio vira lei
É a maior conquista da história da entidade. A Lei nº 18.467/2015 criou o Quadro Próprio dos Servidores do Detran-PR, o QPDE, com três carreiras: analista, técnico e auxiliar de atividades de trânsito.
Até ali, a categoria era parte do quadro geral do Estado. Passou a ter regras próprias — e, com elas, a possibilidade de negociar o que é específico do Detran sem depender de uma negociação que vale para todo o funcionalismo.
A ideia surgiu em 2011. A elaboração começou em 2012, com uma comissão de servidores e do sindicato, e se intensificou a partir de 2013. Foram quatro anos até a sanção — e, no caminho, um acampamento de quase trinta dias em frente à Assembleia Legislativa.
Este é o maior avanço alcançado nos últimos anos para a carreira dos funcionários do Detran.
Adão Gilberto da Rosa, à época presidente da entidade, no dia da sanção. Hoje é Diretor Financeiro do SINDETRAN/PR.
2016 e 2017 — A GEE se consolida
Em 2016, a gratificação conquistada em 2010 como R$ 500,00 já se aproximava de R$ 1.000,00, estendida a todos os servidores da autarquia, independentemente da função exercida. Em 27 de agosto de 2017 veio o parecer sobre a incorporação integral da GEE à aposentadoria.
É o percurso completo de um direito: decreto em 2010, lei em 2012, reajuste acompanhando a data-base, e incorporação à aposentadoria em 2017. Sete anos.
Dezembro de 2025 — Agente de trânsito
A denominação do cargo passou a agente de trânsito, reconhecendo o que a categoria de fato exerce. Nome de cargo não é detalhe burocrático: é o que define atribuição, responsabilidade e, no fim, remuneração.
É a conquista mais recente desta lista — e veio já sob o mandato eleito para 2025–2029. A linha do tempo não parou.
Outras conquistas da categoria
- Salário para subsídio — mudança na forma de remuneração, com efeito direto no contracheque.
- Auxílio alimentação — benefício conquistado e incorporado à vida de quem trabalha no Detran-PR.
- Desincompatibilização das gratificações GIRCE e GEBET, reforma de CIRETRANs, atualização de equipamentos de informática e veículos para viagens a serviço.
- Ações judiciais que garantiram o cumprimento da lei quando a negociação não bastou — frente que segue ativa na nossa assessoria jurídica.
O que essa lista ensina
Entre a fundação, em 21 de abril de 1989, e a reativação da entidade, em 12 de novembro de 2009, o sindicato passou vinte anos parado. Olhe as datas acima: todas vêm depois de 2010.
Não é coincidência. É a demonstração mais direta que existe da relação entre organização e resultado. Quando a entidade silenciou, a categoria não avançou. Quando voltou a se mobilizar, avançou — e avançou todo ano.
A conquista de hoje foi a reivindicação de ontem. A de amanhã depende de quantos estivermos juntos.
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